letra cifra
início | curadoria | pesquisa | critérios | textos | músicas | depoimentos | mural | busca
Casinha Branca
Esta singela e ao mesmo tempo representativa música foi composta por Elpídio dos Santos, natural da pródiga São Luis do Paraitinga. Lá, ele bebeu suas primeiras águas criativas. A riqueza musical do local é retratada em suas músicas que vão da moda de raiz ao fox-trote.

Principal compositor de trilhas para os filmes de Mazzaropi, Elpídio compôs pérolas, dentre as quais destacamos esta guarânia.

O cenário bucólico da casinha branca e da capela, construídas ao pé de serra são retratados em modo menor. A mudança para modo maior quando a letra começa a descrever “o dia de festa” é coisa de especialista.

Essa linda canção, uma das mais conhecidas de Elpídio dos Santos, mostra também o orgulho do homem do campo e sua vontade e permanecer por lá.

Voltar
Fiz uma casinha branca
Lá no pé da serra
Prá nós dois morar
Fica perto da barranca
Do Rio Paraná
A paisagem é uma beleza
Eu tenho certeza
Você vai gostar

Fiz uma capela
Bem do lado da janela
Prá nós dois rezar
Quando for dia de festa
Você veste o seu vestido de algodão
Quebro meu chapéu na testa
Para arrematar as coisas do leilão

Satisfeito eu vou levar
Você de braço dado
Atrás da procissão
Vou com meu terno riscado
Uma flor do lado e meu chapéu na mão
Vou com meu terno riscado
Uma flor do lado e meu chapéu na mão.



Elpídio dos Santos nasceu em São Luiz do Paraitinga, em 14 de janeiro de 1909. Seu pai, Benedito Alves, era maestro da Banda Santa Cecília, na mesma cidade. Foi nesse ambiente saudavelmente contaminado pela música, que Elpídio dos Santos passou a infância e começou a descobrir o gosto pelas harmonias, ritmos e melodias.

Passou em São Luiz do Paraitinga a adolescência e a primeira juventude. Trabalhou como apontador de jogo do bicho, foi funcionário de cartório e, mais tarde, ingressou na agência local no antigo Banco Vale do Paraíba. Mas a música já estava definitivamente incorporada em sua vida. Cedo elegeu o violão como seu instrumento preferido, embora tocasse com destreza todos os instrumentos de corda e de sopro.

Nessa época já era querido na cidade, por seu bom coração e pela qualidade de suas composições. Suas músicas eram executadas pelo coro da Igreja Matriz, nas escolas em que também foi professor, pelas bandas, nos teatros e nas reuniões sociais.

À São Luiz do Paraitinga que inspirou seu talento, retribuiu com sua poesia e uma obra musical da melhor qualidade. Foi nessa cidade que conheceu Mazzaropi, então um ilustre desconhecido que viera se apresentar em um circo. Depois do primeiro espetáculo, Elpídio dos Santos tocou violão a noite toda e, a partir dali, ficaram amigos até a morte. Quando Mazzaropi começou a produzir seus filmes, chamou Elpídio para encarregar-se das trilhas sonoras.

Por Luiz Egypto Leia mais em “Museu Mazzaropi”